Gestão de resíduos: do biochar à nanotecnologia encerra programação do Sinvra MT

No último dia do Simpósio do IFMT e UFMT os debates estiveram voltados à gestão de resíduos na agropecuária e à fertilidade do solo.

No terceiro e último dia do Simpósio Interinstitucional de Valorização de Resíduos para a Agricultura (Sinvra MT), as três palestras e os debates estiveram voltados para a gestão de resíduos na agropecuária e fertilidade do solo. A programação do evento foi dividida em eixos, iniciando com discussões sobre políticas públicas, legislação e gestão de resíduos para a agricultura.

Em sua palestra, “Biochar na Agricultura e Remediação Ambiental: Propriedades, aplicações e economia circular, a pesquisadora e docente do Campus Cuiabá – Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Elaine de Arruda Coringa falou sobre essa tecnologia promissora para a agricultura e o meio ambiente.

O biochar ou biocarvão é produzido a partir da queima controlada de resíduos orgânicos, como restos de culturas agrícolas, esterco animal, lodo de esgoto e resíduos agroindustriais.

Na agricultura, pode trazer diversos benefícios como a melhoria da estrutura do solo, o aumento da retenção de água e nutrientes, a redução da acidez e o estímulo à atividade biológica. Essas características podem contribuir para o aumento da produtividade agrícola, especialmente em solos tropicais degradados ou muito ácidos.

O biochar também tem sido estudado como alternativa sustentável para a remediação ambiental por sua estrutura porosa que permite a absorção de contaminantes presentes em solos, águas e efluentes, auxiliando na remoção de metais pesados, pesticidas e outros poluentes.

“Outro aspecto importante é sua contribuição para o combate às mudanças climáticas. Como armazena carbono por longos períodos no solo, ajuda a reduzir a quantidade de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, funcionando como uma ferramenta de sequestro de carbono,” explicou Elaine.

A eficiência do uso depende de fatores como a matéria-prima utilizada, as condições de produção e as características do solo onde será aplicado. Em alguns casos, pode apresentar efeitos limitados ou até indesejados, como a imobilização excessiva de nutrientes ou alterações na disponibilidade de determinados contaminantes.

A pesquisadora também mencionou estudos recentes que buscam desenvolver biochars com características específicas para cada finalidade, incluindo versões ativadas, magnéticas e em escala nanométrica. E outros que combinam biochar com microrganismos e fertilizantes para potencializar seus efeitos.

Resíduos orgânicos ganham novo valor na agricultura sustentável

A palestra “Composbio: Transformando resíduos orgânicos em fertilizantes eficientes” foi ministrada pelo professor Brener Marra, da Universidade Federal de São João Del-Rey, que destacou como resíduos orgânicos provenientes da agroindústria, produção animal e atividades urbanas podem ser transformados em fertilizantes e condicionadores de solo, contribuindo para a sustentabilidade e a bioeconomia.

O processo utiliza técnicas de compostagem e biotecnologia para converter materiais antes considerados passivos ambientais em insumos agrícolas capazes de melhorar a qualidade do solo e aumentar a eficiência produtiva no campo.

Entre os resíduos aproveitados estão restos de alimentos, resíduos de cereais, cama de aviário, resíduos de suínos, lodos industriais e podas de árvores. Além da reciclagem desses materiais, a iniciativa inclui a produção de microrganismos benéficos em biofábricas, que auxiliam no desenvolvimento das plantas e na recuperação da saúde do solo.

O pesquisador ressaltou que a fertilidade do solo não depende apenas da aplicação de nutrientes, mas da manutenção de suas funções químicas, físicas, biológicas e hidrológicas.

“Os fertilizantes orgânicos e organominerais contribuem para o aumento da capacidade de retenção de nutrientes e água, melhoria da estrutura do solo, redução de efeitos tóxicos de metais e maior resistência das plantas a condições adversas”, frisou.

Também foram citados resultados que indicam benefícios como melhor desenvolvimento radicular, maior uniformidade na produção agrícola e aumento da resiliência dos sistemas produtivos frente a períodos de seca.

Nanotecnologia e economia circular: caminhos para uma agricultura mais sustentável

O professor e pesquisador Adriano Buzutti de Siqueira, da Universidade Federal de Mato Groso (UFMT) apresentou estudos sobre o uso de nanomateriais à base de carbono, conhecidos como “carbon dots” ou nanocarbono, como alternativa inovadora para aumentar a produtividade agrícola e promover a sustentabilidade.

Na palestra “Economia Circular e Sustentável com Nanocarbono”, a nanotecnologia foi descrita como uma ferramenta capaz de contribuir para uma agricultura mais produtiva, sustentável e alinhada aos princípios da economia circular diante dos desafios globais relacionados ao crescimento populacional, à segurança alimentar e à necessidade de uso mais eficiente dos recursos naturais.

O pesquisador explicou que os chamados carbon dots são nanopartículas produzidas a partir de materiais ricos em carbono, inclusive resíduos orgânicos e agroindustriais. Entre suas principais características estão a baixa toxicidade, a compatibilidade com organismos vivos e a facilidade de produção a partir de matérias-primas abundantes.

“Essas nanopartículas podem atuar como nanofertilizantes, nanoestimulantes e sensores agrícolas, auxiliando no crescimento das plantas, na melhoria da fotossíntese, no monitoramento de nutrientes e contaminantes, além de aumentar a resistência das culturas a condições adversas, como seca, radiação solar excessiva e doenças”.

Outro destaque foi o aproveitamento de resíduos para a produção de materiais de alto valor tecnológico. Estudos recentes demonstram o potencial de transformar resíduos urbanos e efluentes da suinocultura em nanomateriais capazes de estimular o desenvolvimento de plantas, reduzindo impactos ambientais e agregando valor aos processos produtivos.

“A combinação entre nanotecnologia, sustentabilidade e economia circular representa uma estratégia promissora para enfrentar os desafios da agricultura do futuro,” avaliou o docente.

Rolar para cima
R

Reitoria

01
Campus Cuiabá Cel. Octayde Jorge da Silva
02
Campus São Vicente
03
Campus Cáceres Prof. Olegario Baldo
04
Campus Cuiabá Bela Vista
05
Campus Pontes e Lacerda Fronteira Oeste
06
Campus Campo Novo do Parecis
07
Campus Juina
08
Campus Confresa
09
Campus Rondonópolis
10
Campus Sorriso
11
Campus Várzea Grande
12
Campus Barra do Garças
13
Campus Primavera do Leste
14
Campus Alta Floresta
15
Campus Tangara da Serra
16
Campus Diamantino
17
Campus Avançado Lucas do Rio Verde
18
Campus Avançado Sinop
19
Campus Guaranta do Norte
20
Campus Campo Verde
21
Campus Água Boa
22
Campus Canarana
23
Campus Colniza