Estudantes do IFMT Bela Vista relatam experiências e aprendizados no English Camp

Em imersão voltada a estudantes com nível intermediário do inglês, eles aprimoraram habilidades de conversação e escrita acadêmica, além da busca por oportunidades internacionais

No período de 30 de outubro a 1o de novembro, as estudantes do Campus Cuiabá – Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Ana Bárbara Gallego Rodrigues e Anabela Mraczansky se juntaram aos mais de 50 colegas dos 22 campi do IFMT para mais uma edição da imersão de estudos em língua inglesa, o English Camp, realizado no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá.

A imersão é voltada a estudantes que possuem o nível intermediário do inglês (B1 ou B2) e que passaram por uma seleção nos campi. Eles aprimoraram as habilidades de conversação e participaram de um workshop de escrita acadêmica para estarem aptos a buscar oportunidades de estudos em universidades no exterior.

Além das conversas sobre experiências internacionais o grupo também foi estimulado a replicar algumas das atividades nos campi de origem na volta para casa.

Na entrevista abaixo, Ana Bárbara, estudante do quarto semestre do curso Técnico em Química e Anabela, aluna do 5º semestre do curso Técnico em Meio Ambiente contaram um pouco sobre o English Camp. Elas falaram dos desafios durante os três dias da jornada imersiva, do início do processo de seleção e também das coisas que mais marcaram positivamente a experiência. Confira:

Ana Bárbara: aprendizado sobre inclusão e autoconfiança

No English Camp o mais interessante para mim foi aprender um pouco de ASL (Língua de Sinais Americana). Gosto de atividades que promovam a inclusão, principalmente de pessoas com deficiência. Tanto que, no semestre anterior, meu grupo do Projeto Integrador (PI) organizou um minicurso de Libras e pude perceber algumas semelhanças entre as duas línguas. Inclusive, essa atividade me ajudou bastante com a ansiedade que senti durante o English Camp, pois todos eram iniciantes naquilo. Isso tornou o ambiente mais confortável, já que não havia problema em não ter experiência: era algo novo para todos.

Outra parte que achei muito interessante foi a última atividade, na qual precisávamos propor ideias para realizar em nosso campus, com o objetivo de incentivar a participação de mais alunos no English Camp. Minha ideia foi promover uma roda de conversa quinzenal em inglês, com um tema divulgado com antecedência para que os participantes pudessem pesquisar e se preparar. Nela, os alunos teriam a oportunidade de praticar a fala e a compreensão auditiva, ampliar o vocabulário e tirar dúvidas. Acredito que, se houvesse uma atividade assim na escola, eu teria me sentido um pouco menos ansiosa.

Comecei a estudar inglês aos 15 anos. Fiz um ano de curso, mas precisei sair em 2026 por conta dos sábados letivos. Mesmo assim, continuei estudando pela plataforma Altissia. Descobri que haveria o English Camp durante uma aula da professora Veralucia e decidi tentar participar. Quando fui selecionada, estudei um pouco de vocabulário que imaginei que poderia ser necessário.

A parte mais difícil foi quando cheguei e percebi que o vocabulário que havia estudado não era exatamente o que eu precisava. Ao perceber isso fiquei tão ansiosa que não conseguia me lembrar de quase nada do que já sabia… Mas o que me ajudou foram os horários de almoço e jantar. Nesses momentos, eu voltava para o meu quarto e tinha um tempo de silêncio, quando conseguia relaxar a mente e parar de me cobrar tanto. Era um momento em que eu não precisava exigir de mim mesma que fosse perfeita em algo com que ainda não tinha tanto tempo de estudo. ”

Anabela: empatia e troca cultural com treino de agilidade mental e fluência na fala

“Eu sinto que participar do English Camp foi uma experiência enriquecedora que se conectou profundamente com a minha bagagem pessoal e com a minha bagagem acadêmica. Vivenciar o English Camp dentro do IFMT trouxe uma coisa única, que foi a chance de colocar essa bagagem em prática em um ambiente de imersão, 100% inglês, ao lado de colegas de outros campi de todo o Mato Grosso e de convidados internacionais também. Estar totalmente submersa no inglês durante 24 horas por dia, fortaleceu muito a minha autoconfiança.

Além de que isso acendeu muito a minha paixão pela troca cultural entre as pessoas, sabe? Conhecer novas pessoas porque cada um carrega uma vivência diferente, cada um carrega experiências diferentes dentro de si. Pude conhecer novas culturas dessas novas pessoas e isso refirmou a importância dos idiomas, das línguas como pontes reais para conectar todo mundo, entendeu? Para conectar pessoas e histórias do mundo todo.

O que achei mais difícil durante a imersão foi quebrar a barreira do perfeccionismo. Porque mesmo quando a gente já tem uma certa bagagem no idioma, no início, é natural sentir aquele receio, aquele medo de cometer um erro gramatical, de congelar procurando a expressão exata, a palavra certa, entendeu? Em meio a uma rotina 100% falada em inglês. O cérebro faz um esforço enorme para se adaptar a esse ritmo constante a essas novas conexões neurais de se readaptar a essa imersão.

Porque querendo ou não a gente fala português. E nós estamos acostumados a falar português todos os dias. Então foi uma retirada muito bacana de uma zona de conforto que eu tinha.

E apesar desses desafios, o ambiente acolhedor, esse ambiente mais dinâmico do acampamento, ele me obrigou a superar isso de forma muito rápida. E isso me mostrou que o objetivo principal da comunicação não é essa perfeição impecável, essa coisa de que tudo tem que ser correto, assim, à primeira vista, mas sim a clareza, o entendimento. Porque se eu estou conseguindo passar a minha ideia para você de forma eficiente, de maneira bacana, isso já é o suficiente.

A empatia também, porque se você não se coloca no lugar do outro que possivelmente não fala muito bem, a conversa trava aí e a conexão real entre as pessoas também. Então essas características meio que me fizeram superar essa dificuldade.

Os benefícios que percebi foram imediatos e visíveis. Especialmente nesse treino de agilidade mental no inglês e na fluência de fala. Sinto que treinei muito essa capacidade de pensar diretamente em inglês. A minha segurança também para improvisar e manter conversas longas com muitas pessoas com assuntos talvez meio complexos aumentou bastante.

E esse convívio diário com essas pessoas novas, com essa rotina nova que adquiri durante esses três dias, expandiu bastante o meu repertório com expressões novas. E isso, nenhum livro didático daria. E acredito que nenhuma aula conseguiria transmitir tudo com tanta vida. De verdade. “

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