Jenpex: Trabalhos apresentados envolveram pesquisas com bocaiúva, cúrcuma, albedo de melancia, café de açaí e curativo de barbatimão

A Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão do Campus Cuiabá – Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (Jenpex/IFMT) […]

A Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão do Campus Cuiabá – Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (Jenpex/IFMT) reuniu, no dia 05, os resumos de 29 trabalhos nas áreas químicas e alimentícias desenvolvidos ao longo do ano e apresentados oralmente pelos docentes e estudantes pesquisadores.

Entre eles estão uma pequisa sobre o potencial da bocaiúva, um fruto do cerrado, como recurso funcional, sustentável e adequado para aplicações nas indústrias de alimentos, cosméticos e biotecnologia; uma análise microbiológica de conserva ácida de albedo de melancia e do albedo; e uma avaliação das propriedades do barbatimão, outra espécie nativa do cerrado, a partir de testes caseiros e proposta de curativo vegetal biodegradável.

Para o presidente da comissão organizadora do evento, professor Daniel Oster, a participação na jornada científica representa mais uma etapa de aprendizados trilhada pelos estudantes.

“A Jenpex foi muito importante para a pesquisa, uma vez que possibilitou a oportunidade de demonstrar para a comunidade os trabalhos desenvolvidos no decorrer deste ano pelos pesquisadores e alunos do campus. Além disso, o fato desses trabalhos serem apresentados de maneira oral para o público possibilitou que esses autores, principalmente os alunos, fossem desafiados a se expor para o público, a aprender a controlar a emoção durante a fala, durante uma apresentação,” afirmou.

Confira, abaixo, alguns dos resumos dos trabalhos apresentados:

Caracterização fitoquímica e atividade antioxidante da Bocaiúva (Acrocomia aculeata)

A bocaiúva destaca-se entre os frutos nativos do Cerrado devido à elevada concentração de compostos bioativos e ao potencial de aproveitamento integral de suas partes, atributos que estimulam o interesse científico por sua aplicação como alimento funcional e insumo biotecnológico. O estudo avaliou a composição físico-química, o perfil fitoquímico e a atividade antioxidante do epicarpo e do mesocarpo da bocaiúva, além de analisar aspectos relacionados à segurança biológica de seus extratos.

Os resultados demonstraram que tanto a casca quanto a polpa apresentam alta concentração de compostos bioativos e expressiva atividade antioxidante, com destaque para a casca. Essas características evidenciam o potencial do fruto como recurso funcional, sustentável e adequado para aplicações nas indústrias de alimentos, cosméticos e biotecnologia, contribuindo para a valorização das espécies nativas do cerrado e para o aproveitamento integral de seus recursos.

Formulação e Avaliação Físico-química de bebida vegetal fortificada com farinha integral de cogumelo

A crescente demanda por alimentos plant-based com maior aporte nutricional tem impulsionado pesquisas voltadas ao desenvolvimento de produtos que conciliem qualidade sensorial, funcionalidade e ingredientes naturais. Entre as alternativas emergentes, cogumelos do gênero Pleurotus spp. têm tido destaque devido ao perfil nutricional equilibrado, contendo proteínas de boa qualidade, vitaminas do complexo B, minerais e compostos bioativos. O estudo formulou e avaliou, sob o ponto de vista físico-químico, uma bebida vegetal enriquecida com farinha integral de cogumelos Pleurotus spp., visando aprimorar o valor nutricional do produto, especialmente em relação ao teor proteico.

Os resultados obtidos indicaram que a bebida vegetal desenvolvida apresenta composição nutricional favorável e potencial tecnológico, com destaque para o teor proteico, que se mostrou superior ao de diversas bebidas proteicas de origem animal disponíveis no mercado, as quais normalmente apresentam entre 6% e 8% de proteínas. Conclui-se que a incorporação da farinha integral de cogumelos Pleurotus spp. representa uma estratégia promissora para o desenvolvimento de bebidas vegetais enriquecidas.

Propriedades Físico-químicas do açafrão (Cúrcuma longa)

O controle de qualidade físico-químico e instrumental é fundamental para assegurar que alimentos comercializados apresentem segurança, estabilidade, autenticidade e conformidade com os padrões legais estabelecidos por órgãos reguladores. Entre as especiarias amplamente utilizadas na culinária brasileira, o açafrão-da-terra (Curcuma longa) se destaca tanto pelo valor comercial quanto pelas propriedades funcionais e antioxidantes. Entretanto, observa-se grande variabilidade entre marcas disponíveis no mercado, especialmente em relação à coloração, textura, aroma e sabor, fatores que podem refletir diferenças na composição ou indicar possíveis adulterações. Assim, torna-se essencial avaliar parâmetros físico-químicos que assegurem a qualidade e a autenticidade do produto.

O trabalho analisou os principais parâmetros de qualidade estabelecidos na legislação brasileira para o açafrão comercial, incluindo pH, umidade, acidez titulável e detecção de amido, avaliando a conformidade do produto e a presença de possíveis adulterantes em oito marcas de açafrão em pó e uma amostra orgânica. Os resultados reforçam a importância das análises físico-químicas como ferramentas para garantir a qualidade, a autenticidade e a segurança do açafrão comercial. Dada a alta vulnerabilidade dessa especiaria a fraudes, o monitoramento contínuo contribui para a proteção do consumidor e o combate a práticas comerciais inadequadas.

Análise Microbiológica de Conserva Ácida de Albedo de Melancia

O trabalho desenvolveu uma conserva ácida com o uso do albedo da melancia, promovendo o reaproveitamento de resíduos da agroindústria e avaliando a qualidade microbiológica do produto. Foi elaborada uma conserva com baixo teor de sódio, substituindo parcialmente o cloreto de sódio (NaCl) por cloreto de potássio (KCl), visando atender consumidores com restrição ao sal. Os frascos foram armazenados sob refrigeração por 24 dias e depois submetidos à análise microbiológica e de pH no Laboratório de Análise Microbiológica de Alimentos (LAMA/IFMT). As análises incluíram a pesquisa de Salmonella spp., quantificação de enterobactérias e determinação do pH. Todas as amostras apresentaram ausência de Salmonella spp. e enterobactérias, indicando segurança microbiológica e eficácia do tratamento térmico.

Os resultados demonstram que o reaproveitamento do albedo de melancia em conserva ácida é viável, proporcionando um produto seguro, de baixo teor de sódio e com potencial sustentável. Além disso, a substituição parcial de NaCl por KCl permite atender a necessidades nutricionais específicas, ampliando o valor agregado do produto. Concluiu-se que a conserva desenvolvida representa uma alternativa inovadora para o aproveitamento de resíduos agroindustriais, oferecendo ao mercado um produto funcional, seguro e sustentável, reforçando a importância do desenvolvimento de alimentos que conciliem qualidade, saúde e sustentabilidade.

Potencial Bioativo e Sustentável do Café de Açaí: avaliação da concentração dos compostos fenólicos totais e antocianinas em diferentes formas de preparo

O aumento da produção de polpa de açaí no Brasil tem ampliado o volume de resíduos gerados, especialmente os caroços fibrosos, que ainda são destinados majoritariamente a aplicações de baixo valor agregado. Uma alternativa promissora para o aproveitamento desse material é a produção do chamado café de açaí, obtido a partir da torra e moagem dos caroços. Além de agregar valor ao resíduo, essa bebida pode apresentar compostos bioativos com potencial funcional, como polifenóis e antocianinas. No entanto, diferentes formas de preparo utilizadas pelos consumidores podem influenciar a solubilização e a extração desses compostos, especialmente aqueles termosensíveis.

O estudo buscou determinar as concentrações de compostos fenólicos totais e antocianinas totais em duas modalidades de preparo da bebida: extração a quente e extração a frio. Foram analisadas seis marcas comerciais de café de açaí, adquiridas em dois lotes distintos. Os resultados demonstraram que o método de preparo influencia a eficiência de extração dos compostos bioativos, podendo favorecer a liberação e solubilidade dos mesmos ou, em condições inadequadas, limitar sua recuperação devido a baixa difusão ou degradação térmica. Conclui-se que o café de açaí apresenta potencial como bebida funcional sustentável, representando uma alternativa para agregar valor aos resíduos do fruto, fortalecer a bioeconomia regional e contribuir para a redução de impactos ambientais decorrentes de seu descarte.

Avaliação nutricional e antioxidante de cogumelo Lentinula edodes cultivado em Cuiabá, MT

O cogumelo Lentinula edodes, conhecido como shiitake, destaca-se pelo valor nutricional e funcional, sendo reconhecido como uma fonte alternativa de proteínas e compostos bioativos. A alta eficiência na conversão de biomassa vegetal em proteína comestível, associada ao baixo impacto ambiental de sua produção, tem atraído cada vez mais consumidores, tornando o shiitake um dos cogumelos mais cultivados e consumidos no mundo. No Brasil e em Mato Grosso a cadeia produtiva encontra-se em expansão. A produção regional evidencia a importância de sua caracterização nutricional, uma vez que a cepa, o substrato de cultivo e as condições ambientais podem influenciar sua composição. O consumo de cogumelos vai além da relevância nutricional e tem despertado interesse da comunidade científica devido à presença de compostos com bioatividade, como antioxidantes, que contribuem para a eliminação de radicais livres endógenos, prevenindo o estresse oxidativo e doenças cardiovasculares e metabólicas.

O estudo teve como objetivo determinar a composição centesimal, o perfil de aminoácidos e a capacidade antioxidante do cogumelo shiitake produzido em Cuiabá. Os cogumelos foram adquiridos de um produtor local, liofilizados e analisados em base seca, conforme metodologias oficiais. Os resultados indicam que o cogumelo estudado apresenta elevado teor proteico, quantidade satisfatória de aminoácidos essenciais e propriedades antioxidantes, configurando-se como fonte promissora de proteínas e compostos bioativos, com potencial aplicação no desenvolvimento de alimentos funcionais e na substituição de proteínas convencionais.

Desenvolvimento e Caracterização de Resinas Alquídicas Sustentáveis a partir de PET Reciclado

A indústria de tintas e revestimentos enfrenta o desafio de reduzir a dependência de matérias-primas fósseis e mitigar o impacto ambiental causado pelo acúmulo de resíduos sólidos. Entre os materiais amplamente empregados nesse setor, as resinas alquídicas destacam-se pela versatilidade e baixo custo, embora tradicionalmente dependam de insumos petroquímicos. Paralelamente, o descarte crescente de poli(tereftalato de etileno) (PET) pós-consumo representa um problema ambiental relevante. A reciclagem química do PET, alinhada aos princípios da Química Verde e da Economia Circular, surge como uma alternativa promissora ao transformar esse resíduo em um insumo valioso para a produção de novos polímeros.

O estudo buscou desenvolver e caracterizar resinas alquídicas sustentáveis, incorporando oligômeros derivados da glicólise de PET reciclado em combinação com óleo de soja. Buscou-se correlacionar a concentração de PET com as propriedades físico-químicas e o desempenho do filme formado, realizando uma comparação sistemática entre a resina sustentável, uma resina ftálica sintetizada em laboratório (controle científico) e uma resina comercial utilizada como referência de mercado, a fim de validar a viabilidade técnica e econômica da proposta.

Os resultados evidenciaram que a incorporação dos grupos tereftalato provenientes do PET aumentou a rigidez da cadeia polimérica, promovendo melhorias significativas nas propriedades mecânicas, especialmente na dureza e na estabilidade térmica dos filmes. A avaliação econômica demonstrou que a rota sustentável apresenta competitividade, sobretudo pela redução de custos associados à substituição parcial do anidrido ftálico por PET reciclado. Conclui-se que a modificação de resinas alquídicas com PET pós-consumo constitui uma alternativa tecnicamente sólida e economicamente viável. A tecnologia proposta não apenas contribui para a valorização de resíduos plásticos, mas também resulta em um produto de alto desempenho com potencial para substituir sistemas alquídicos tradicionais, fortalecendo práticas sustentáveis na indústria de revestimentos.

Avaliação das Propriedades do Stryphnodendron adstringens a partir de Testes Caseiros e Proposta de Curativo Vegetal Biodegradável

O estudo avaliou as propriedades medicinais do Stryphnodendron adstringens (barbatimão), espécie nativa do Cerrado amplamente utilizada na medicina tradicional por suas potenciais ações cicatrizantes e antimicrobianas. A pesquisa buscou compreender, de forma prática e acessível, como o extrato dessa planta atua na inibição do crescimento de fungos e na preservação de tecidos, além de explorar a elaboração de um curativo biodegradável à base de substâncias naturais. Pela metodologia adotada, o extrato vegetal foi obtido por infusão da casca do barbatimão, permitindo a extração de compostos bioativos. Em seguida, o extrato foi aplicado em dois modelos: casca de banana, utilizada como analogia à textura e composição da pele humana, e pão, escolhido por sua sensibilidade ao crescimento de fungos, facilitando a observação da atividade antimicrobiana. Paralelamente, foi desenvolvido um curativo biodegradável combinando gelatina incolor, água e o extrato da planta, visando testar sua viabilidade como alternativa natural para cuidados com feridas.

Os resultados mostraram que as amostras tratadas com o extrato de barbatimão apresentaram menor deterioração e redução significativa do crescimento de fungos em comparação aos grupos controle, indicando propriedades antimicrobianas e antioxidantes relevantes. O curativo produzido revelou-se simples de preparar, flexível e capaz de incorporar o extrato vegetal, demonstrando potencial para uso prático, especialmente em contextos que demandam soluções sustentáveis e de baixo custo. Conclui-se que o barbatimão apresenta potencial significativo para o desenvolvimento de produtos com propriedades cicatrizantes e antimicrobianas, reforçando a importância de valorizar e investigar plantas nativas do Cerrado. Os resultados obtidos são consistentes e indicam que recursos naturais podem ser explorados em práticas científicas e educacionais.

 

Posts relacionados
Rolar para cima
R

Reitoria

01
Campus Cuiabá Cel. Octayde Jorge da Silva
02
Campus São Vicente
03
Campus Cáceres Prof. Olegario Baldo
04
Campus Cuiabá Bela Vista
05
Campus Pontes e Lacerda Fronteira Oeste
06
Campus Campo Novo do Parecis
07
Campus Juina
08
Campus Confresa
09
Campus Rondonópolis
10
Campus Sorriso
11
Campus Várzea Grande
12
Campus Barra do Garças
13
Campus Primavera do Leste
14
Campus Alta Floresta
15
Campus Tangara da Serra
16
Campus Diamantino
17
Campus Avançado Lucas do Rio Verde
18
Campus Avançado Sinop
19
Campus Guaranta do Norte
20
Campus Campo Verde
21
Campus Água Boa
22
Campus Canarana
23
Campus Colniza