Encontros conscientizam sobre equidade de gênero, empatia e relações mais justas

Nas rodas de conversa, estudantes discutiram lugares de privilégio, marcas da masculinidade hegemônica, por vezes tóxica, e os passos para construir relações igualitárias.

Papo reto. Conversa afiada. Diálogos para promover tomada de consciência e uma mudança de comportamento nos estudantes do Campus Cuiabá Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), sobretudo os do sexo masculino, com relação à igualdade de direitos, o respeito e a empatia entre homens e mulheres.

Assim foram as rodas de conversa encerradas ontem (16). Na sexta-feira pela manhã, à tarde e também na segunda-feira à noite, alcançando estudantes dos três turnos, o evento “Comunidade BLV pela equidade de gênero” ocupou a escola com debates, trocas e afetos.

A iniciativa é da Comissão Permanente de Diversidades e Relações Étnico-raciais (CPDRE), presidida pela servidora Daryne Gomes da Costa e que contou com o apoio de professores de diferentes disciplinas, que se revezaram na mediação dos diálogos.

Entre eles estavam os docentes Marcelo Velasco, Yuri Ogaya Assunção, Paulo Sesar Pimentel, Marcos Bulhões, Sandro Lucosi, Francioly Siqueira e Alencar Bacarji.  Todos reconheceram a importância da ação, especialmente no momento atual, em que vem crescendo os registros de feminicídios em Mato Grosso e em todo o país.

Os professores Marcelo Velasco, Paulo Sesar Pimentel e Marcos Bulhões se reuniram com as turmas de Alimentos no período vespertino e observaram uma abertura por parte dos estudantes para uma reflexão profunda sobre o comportamento masculino, incluindo o seu próprio,  para a adoção de uma postura mais justa e empática.

“Acredito que a maioria dos alunos tenham sido tocados positivamente com relação ao tema. Chegamos a um ponto em que não é mais possível somente se indignar ante a violência de toda ordem praticada contra as mulheres. Agora é imprescindível que todos os homens tenham atitude e reajam contra essas violências,” pontuou Velasco.

“Esse encontro foi um início de um processo que tenho a esperança que traga bons resultados na construção de uma sociedade igualitária e justa,” completou.

Diálogo com o mundo real

Para o professor Pimentel, a comunidade viveu um dia inteiro dedicado a reafirmar o papel da educação pública como espaço de escuta, resistência e construção coletiva. A ação foi fruto de estudos, pesquisas e, sobretudo, da compreensão urgente de que a escola precisa dialogar com as dores e as lutas do mundo real.

“Reunimos estudantes, servidores e servidoras para um tema que nos atravessa a todos e todas: a equidade de gênero. Conversamos sobre o que é o 8 de março, por que ele segue necessário, sobre o aumento da violência contra mulheres e a importância de uma reação articulada e nacional contra esse crime hediondo. Mais do que respostas, buscamos perguntas e a coragem para enfrentá-las,” salientou o docente.

Um dos métodos adotados foi a separação entre homens e mulheres, meninos e meninas, em todos os turnos. A decisão não veio do acaso, mas de um reconhecimento incômodo e necessário: pesquisas mostram que, numa sociedade estruturada pelo machismo, homens tendem a ouvir mais outros homens.

“Por isso, é fundamental que homens conversem com homens sobre privilégios, silenciamentos e responsabilidades. Não para proteger ou suavizar, mas para confrontar, junto aos seus pares, as violências que tantas vezes naturalizamos,” frisou Pimentel.

Nas rodas de conversa com os estudantes, os homens discutiram seus lugares de privilégio, as marcas da masculinidade hegemônica, muitas vezes tóxica, e os passos concretos que eles podem dar, dentro e fora da escola, para construir relações mais justas.

“Nós, homens, fomos convidados a escutar e a falar, mas, sobretudo, a nos implicar. Ninguém saiu dali com a ilusão de que o problema está resolvido. Pelo contrário: saímos com a certeza de que ações como essa precisam ser cada vez mais frequentes, mais articuladas, mais incorporadas ao cotidiano da instituição”, reconheceu Pimentel.

A mudança não acontece num único evento, nem se esgota numa fala, é um processo que reverbera a partir do compromisso de todos e todas que estiveram no auditório, nas salas de aula, nas rodas de conversa; que trouxeram suas vozes, suas escutas e suas presenças.

“É nessa reverberação que acreditamos. Foi o compromisso coletivo de muitas mãos e corações que tornou possível esse encontro. Que venham os próximos passos e a comunidade BLV siga sendo território de luta por igualdade. Porque o futuro que sonhamos se constrói junto, desde o chão da escola, em cada turno, em cada conversa, todo dia”, defendeu Pimentel.

Roda de conversa com alunas

Semente lançada

O estudante do segundo ano de Alimentos, Pedro Henrique Jesus, aprovou a iniciativa e quer que os encontros se repitam. Ele disse que ficou impactado com o documentário exibido, que o respeito deve ser a base de qualquer interação entre humanos e que os adolescentes precisam entender e aceitar isso.

“Algumas coisas ficaram bem claras pra nós. Que o feminismo não prega a superioridade, apenas igualdade e respeito. Deveria ter mais palestras assim no início e no fim do semestre. Primeiro pra nos orientar e depois para ver o que a gente vivenciou,” opinou o jovem.

Como nos lembra Paulo Freire, em sua “Pedagogia da Indignação”: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” O que foi vivenciado ao longo desses dias não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida.

Uma semente lançada em terra coletiva, regada por encontros, afetos e compromissos.

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