
Um jogo didático criado com o objetivo de promover o ensino de química orgânica de forma inclusiva e acessível, valorizando a biodiversidade do bioma Cerrado.
Essa é a proposta do projeto “Cerrado atômico”, desenvolvido por estudantes do curso técnico em Química do IFMT – Campus Cuiabá Bela Vista, selecionado para a 24ª edição da Mostra de Projetos da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), a maior mostra pré-universitária de projetos científicos e tecnológicos do país.
O evento será realizado entre os dias 17 e 20 de março, na Universidade de São Paulo (USP). Neste ano, 297 projetos finalistas foram desenvolvidos por estudantes do ensino básico e técnico de todas as regiões do Brasil, propondo o uso cada vez mais sofisticado de tecnologias emergentes para enfrentar problemas contemporâneos.
A proposta do “Cerrado Atômico” foi a criação de um jogo didático adaptado para pessoas com deficiência visual e daltonismo, estimulando o aprendizado prático, a cooperação e o contato com conteúdos científicos e culturais.
O trabalho foi desenvolvido pelos estudantes Thiago Dumont Costa, Sabrinny Karollainy da Costa e Eduardo Messias Rodrigues, sob coordenação das professoras Josane do Nascimento Ferreira Cunha e Claudia Léia Strada Cerqueira.
A metodologia, de cunho qualitativo, envolveu uma pesquisa bibliográfica sobre frutos do Cerrado e suas substâncias orgânicas, planejamento colaborativo e confecção artesanal dos materiais — cartas, minilivros, versões táteis, modelos moleculares e manuais em áudio.
Jogo Didático, Química Orgânica, Educação Inclusiva
O jogo combina elementos de UNO, Pokémon e Molymod, permitindo aos jogadores montar moléculas a partir das substâncias descritas nas cartas, enquanto aprendem conceitos como ligações químicas, funções orgânicas e estruturas moleculares.
Os resultados demonstraram que o jogo é eficaz no ensino de química orgânica, despertando interesse e engajamento dos participantes. O material se mostrou funcional, criativo e acessível, permitindo a participação plena de pessoas com deficiência visual e daltonismo por meio de recursos táteis, visuais contrastantes e áudios explicativos.
A iniciativa contribuiu, ainda, para a valorização desse bioma e a conscientização ambiental.
“O projeto alcançou seus objetivos ao integrar ciência, inclusão e cultura regional, apresentando-se como uma ferramenta pedagógica inovadora e sensorial, capaz de tornar o aprendizado mais significativo, participativo e inclusivo”, avalia a professora Josane.

Oportunidade de novos aprendizados
Depois do esforço de realização, os estudantes celebram a seleção do projeto e a oportunidade de participação em um evento de tamanha relevância científica.
Sabrinny: “Minha expectativa é compartilhar nosso trabalho, aprender com outros jovens cientistas e crescer na ciência. Já em relação ao prêmio da Febrace espero que ele reconheça o esforço do projeto e incentive ainda mais o desenvolvimento científico”.
Thiago: “A expectativa é aprender com todos os demais projetos e pessoas presentes lá. Em relação à premiação, espero que eu e meus colegas ganhemos, mas já será uma experiência incomparável [a participação no evento] todos os conhecimentos que poderemos ter acesso.
Eduardo: “Desejo poder aprender com outros estudantes e compartilhar ideias com pesquisadores e estudantes também. Que essa troca de conhecimento e as orientações dos avaliadores possam servir para melhorar e alavancar mais o nosso projeto. Espero também que essa participação possa fazer crescer em nós o interesse pela pesquisa e pela ciência”.

