
Foi uma tarde de sábado em que as salas de aula dos blocos C e H do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus Cuiabá – Bela Vista serviram de palco para uma diversidade de apresentações do Circuito de Arte e Cultura – América Latina.
Cada turma se desdobrou na preparação de cartazes, maquetes, caracterizações e instalações para compartilhar com o público presente todo o conhecimento adquirido durante o semestre.
Teve até uma peça teatral permeada pela celebração dos mortos na cultura mexicana, livremente inspirada em duas personagens reais das ditaduras na Nicarágua e no México, Violeta Barrios de Chamorro e Frida Kahlo, além de uma impactante performance artística sobre os anos da ditadura militar brasileira.
A ditadura, aliás, também inspirou os integrantes do Coral na escolha de músicas emblemáticas do repertório de Chico Buarque, como Roda Viva e motivou, ainda, a intervenção pílula feita pelo grupo OcupAÇÃO Pô!Ética. A partir da canção Pra não dizer que não falei das flores, do Geraldo Vandré, com citações das músicas Cálice e Amanhã vai ser outro dia de Chico Buarque, o grupo utilizou uma prática comum no movimento estudantil, que é a repetição em coro para passar sua mensagem.
O evento buscou trabalhar de forma interdisciplinar aspectos históricos, geográficos, econômicos, artísticos e sócio-culturais dos países que compõem a América Latina, com um olhar especialmente atento ao papel desempenhado ao longo do tempo pelas mulheres desses territórios.
Os professores de Artes, Marcelo Velasco, artes visuais; Sandro Lucosi, teatro e Yuri Ogaya, música foram os responsáveis pela organização do Circuito. Também participaram os docentes de Português e Literatura, Andreza e Paulo Pimentel e de História, Itamara Oliveira.
Na avaliação do grupo, os trabalhos demonstraram “a reflexão e assimilação profunda dos temas abordados. “O Circuito cresceu e amadureceu nos próprios alunos. Isso foi visível na qualidade das obras apresentadas,” pontuou Lucosi.

Performances das estudantes Kamilly Tomich e Mariana Corrêa
Davi Andrade e Davi Lima, estudantes de Alimentos, produziram quadros e cartazes com plantas coletadas pelo campus. Eles selecionaram as espécies que acharam mais interessantes, desidrataram e criaram uma bela exposição.
A estudante Dandara da Silva falou sobre as trajetórias e as contribuições da bióloga, educadora diplomata e política Bertha Lutz e da biofarmacêutica cearense Maria da Penha. A primeira foi uma figura central na luta pelos direitos políticos das mulheres no Brasil. A segunda, se tornou o maior símbolo da luta contra a violência doméstica e familiar.
“Escolhemos essas duas mulheres pela lutas delas por mais direitos para todas as mulheres. Foi um marco histórico uma mulher poder se candidatar na política.”
Para Letícia Corrêa da Silva, mãe da estudante Mariana Corrêa, conhecer a realidade do país durante o período da ditadura militar traz uma consciência histórica aos estudantes.
“A ditadura foi uma realidade que o Brasil passou tão bem retratada nesta sala maravilhosa. Eles também estão conhecendo as ditaduras de outros países vizinhos e isso é muito importante,” afirmou.
Ao final da peça, que também abordou o feminicídio, a emoção tomou conta de Mayara Domingas Roys, mãe da estudante Ana Júlia, do curso de Alimentos.
“Estou profundamente emocionada. Foi muito bonito ver as etapas que eles contaram a história. Eles transmitiram mesmo a essência da cultura mexicana. E pro desenvolvimento social deles refletir sobre o feminicídio é muito importante também”, opinou.
A mãe apontou, ainda, os ganhos emocionais e socias para esses jovens a partir da experiência teatral vivida no espaço escolar. “Acho muito interessante a forma como o IFMT dá liberdade pros alunos, incentivam a pesquisa, porque eles tiveram que ler bastante, pesquisar a fundo outras culturas. E isso tudo enriquece não só a parte escolar, mas a vida, mesmo”.

Apresentação do Coral; Mayara e Ana júlia, mãe e filha após peça teatral



